segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Quinquilharias


Há três dias eu venho fazendo uma coisa que a gente vive adiando até perceber que não dá mais pra agüentar a situação: estou organizando meu armário, dando uma geral nas minhas tralhas.

Eu já devo ter feito isso algumas dezenas de vezes na vida. Mas é impressionante que toda vez a gente descobre um cacareco inacreditável e se pergunta:
- que diacho essa coisa ainda tá fazendo aqui?
O engraçado é que tem coisas que a gente separa e diz:
- isso eu não posso jogar fora de jeito nenhum!
Mas na próxima faxina a gente certamente vai perguntar:
- que diacho essa coisa ainda tá fazendo aqui?


Eu sou obrigado a concordar com a minha alma gêmea, que diz que eu sou um ESQUILO. Não conheço ninguém que junte mais velharia que eu. E fico pasmo ao encontrar umas pérolas na minha bagunça, e me forço a rir pra não concluir que sou louco. Confesso que as primeiras faxinas foram muito piores e mais divertidas, quando joguei fora (forçadamente, por Ela) coisas como todas as provas escolares da minha vida (!), minhas coleções de figurinhas (que eu guardava com tanto ciúme e acabaram perdendo a cola – que idiota!), cartas e bilhetes (tinha um caderno de 200 folhas todo escrito, com fotos e dedicatórias, por uma namoradinha – esse Ela rasgou pessoalmente).
Na faxina de hoje, eu tomei coragem e me livrei, entre tantas coisas, dos meus LPs (afinal, eu nem tenho mais vitrola!), das minhas agendas (dos últimos 10 anos!), da minha coleção de canetas (hahaha, 99% não escreve mais) e prometo colocar à venda minha coleção de revistas SET (alguém ainda compra isso?) e Playboy (umas 300, que eu bem queria deixar de herança pro meu filho, mas já recebi um olhar mortífero e intraduzível).
Mas alguns “tesouros” eu guardei pra próxima batalha: convites de casamento, blocos de rascunho, coleção de moedas e selos, e as minhas fitas VHS (um dia quem sabe eu conserto meu videocassete e descubro o que tem gravado nelas...).


Isso tudo eu escrevi porque eu parei pra refletir e percebi que a faxina mais importante a gente faz na nossa alma. Algumas são freqüentes, superficiais, mas às vezes é necessário parar e fazer uma limpeza de verdade, jogar fora aqueles sentimento ruins, as mágoas, os erros do passado. A gente aprende com eles e joga no lixo, pra não ficar guardando coisa que não vale a pena, que dói quando a gente encosta e lembra tudo que passou.


Eu quero isso pra mim, agora e sempre. Faxinar o espírito e não juntar coisa que pese no corpo. Claro que a gente não é perfeito, e tem uma raiva acumulada aqui, uma mágoa que é difícil perdoar acolá.


Mas não importa quantas noites eu leve, um dia eu me livro de todas as minhas quinquilharias. Materiais e espirituais.

Um comentário:

Manda ver!