Morava em uma casa simples de dois cômodos em São Pedro XVIII, que apesar de estar localizada numa encosta quase vertical, tinha uma bela vista para o mangue.
Desde pequeno teve que assumir responsabilidades, para ajudar os pais. Cuidava dos sete irmãos pequenos e nem tinha tempo de jogar bola com os amigos. Talvez por isso acabou virando vascaíno, coitado.
Mas contrariando todos os prognósticos pessimistas, Jullyklêywersson levou a sério o pouco tempo que tinha para estudar. Prestava atenção nas aulas do Colégio Maria Ortiz, e fazia todas as tarefas, lendo até altas horas com ajuda dos tocos de vela que Padre Afonso cedia pra ele após as missas na Catedral.
Depois de alguns bicos e pequenos trabalhos (ajudante de pedreiro, assistente de pula-pula na Praça dos Namorados, motoboy e caixa da C&A), assim que completou o curso por correspondência que fazia no IUB (Instituto Universal Brasileiro), Jullyklêywersson conseguiu um emprego fixo que ele queria há muito tempo: instrutor de access da Data Control. Era o orgulho da família e estava feliz como nunca.
Por isso, combinou com alguns amigos de saírem para comemorar seu primeiro salário.
Iam ao Pagode do Aloir, point da galera do bairro. No sábado, porque não poderia ir ao pagode de quinta - nesse dia Jullyklêywersson tinha curso de flauta doce (era sensível, o garoto) na Fafi.
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No sábado, Jullyklêywersson colocou sua melhor roupa, passou a colônia da Avon que o pai ganhou da patroa e foi para o Aloir, sentindo que aquele era seu dia, alguma coisa ia acontecer.E o destino realmente tinha armado uma boa para o rapaz.
Algumas poucas horas depois do pagode começar, Jullyklêywersson avistou na multidão uma garota com um sorriso lindo, sambando como uma legítima mulata carioca e exalando felicidade, que imediatamente o contagiou e parou seu mundo.
Sem pensar mais, Jullyklêywersson abriu caminho e foi até sua musa, parando a alguns metros e fixando seu olhar no gingado da gata. Percebendo a paquera, a garota se mostrou receptiva, e Jullyklêywersson não perdeu tempo, indo direto até ela:
- Oi
- E aí?
- Belê?
- Da hora...
- Curtindo aí?
- Ô
- Sempre aqui?
- Toda quinta e sábado
- Você não me é estranha, mas não me lembro de ter te visto aqui - nunca esqueceria se tivesse.
- Ah, eu sou comum, vai ver é alguém parecido
- Noooossa, comum você não é mesmo! Muito gata!
- Ai, brigada
- Você estuda, ou trabalha?
- Faço Administração na FAVI, e estagio num banco
- Nossa, alto nível! Que tudo!
( a garota achou "que tudo" meio estranho, mas continuou o papo)
- E você, rala onde?
- Sou instrutor de access na Data Control
- Ai, que legal! Eu já dei aula lá, de Fórmulas Hiperbáricas Absolutas Constantes do Excel!
- Nossa, sabia que eu te conhecia! Vi sua ficha do RH, quando ajudei a Glauciléia...
- Ai, adoro a Glauci!
- ...a organizar uns arquivos. Você é a Gercilayne, não é?
- Nossa, que memória boa! Sou sim, mas pode me chamar de Gercy. E qual a sua graça?
- Jullyklêywersson, um seu criado - e beijou suavemente a mão de Gercy...
O papo rolou, no domingo foram assistir Flamengo x Vasco (Gercy era rubro-negra roxa), marcaram outras saídas, engataram um romance e até viajaram juntos pra Búzios.
Depois de algum tempo, terminaram o relacionamento repentinamente. Dizem que o "que tudo" evoluiu e complicou a situação, mas ninguém confirmou essa história.
Até hoje ninguém sabe o que aconteceu realmente com Jullyklêywersson e Gercilayne, mas nenhum dos dois perdeu a esperança de encontrar a meia que calce seus pés gelados num dia frio de inverno em Tabuazeiro...
(Dedicado à the best estagiária, fundadora do sindestagiees, que já curtiu olhos verdes e pelancas brancas, e que sai para caçar todas as quintas e sábados. Estamos na torcida!)

Falta do que fazer!! kkkkkk
ResponderExcluirGercy, esse comentário é seu? rs
ResponderExcluirGostei, tem até foto.
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