domingo, 25 de setembro de 2011

Vida de corredor

Um mês antes, a inscrição (geralmente sou um dos primeiros, tarado).
Daí fico contando os dias. Nesse meio tempo, prometo que vou treinar legal, levar à sério. Mas um dia tá frio, no outro tem Igreja, outro eu tô cansado...e fico confiando de que vai dar tudo certo mesmo que eu não mereça.
Na véspera, deixo tudo arrumado: bermudas (uma térmica, outra da Adidas), camisa do evento com número de peito fixado com alfinetes, tênis com meia curtinha, joelheira pro joelho direito (que dói um pouquinho), gel de carboidrato, respire melhor, boné, MP4 carregado, relógio com monitor cardíaco e uma pulseirinha powerbalance (se não ajudar, também não atrapalha).
Daí chega o dia.
Acordo 6:30h, como uma coisinha (iogurte com maçã, banana e mel, geralmente), tomo um banho caprichado e visto toda a parafernália.
Peço pra quem estiver acordado pra tirar a foto oficial, e vou indo. Nem sempre tenho acompanhantes, depende do local e da animação. Se não der, então vou de bus. E já gosto do povo me olhando de lado, tipo "ah, é corredor", mesmo que estejam pensando "esse gordinho vai chegar em último".
Chegando no local marcado, já vou entrando no clima. Adoro ver o povo se aquecendo, tirando foto, procuro alguém que eu conheça, jogo conversa fora enquanto começo o alongamento. Depois alongo com a galera, porque sempre tem um gritando animado em cima de um trio ou um carro de som. E já vai dando aquele frio na barriga, inclusive porque eu sou "pouco" ansioso.
Posicionado, é dada a largada. Faço o sinal da cruz, pedindo pra Deus me permitir chegar no fim inteiro, e ligo o cronômetro assim que passo pelo tapete com o chip.
No começo vou sentindo meu corpo e controlando a respiração, economizando fôlego mas tentando esquentar logo os músculos. E prometo pra mim mesmo que não vou dar nem uma andadinha (em vinte e três corridas só não andei em uma). Claro que com o tempo sinto a falta de treino e o peso em cima das panturrilhas, e no meio da corrida já tô cansado, enfrentando o diabinho que insiste que eu não vou conseguir, tentando me concentrar só nas músicas e bebendo muita água em todos os postos de hidratação. Daí vejo as pessoas passando por mim, e não me conformo com algumas ultrapassagens, e ficamos trocando de posição durante um bom tempo. E quando faltam uns dois quilômetros, começo a focar em quem eu não quero que chegue na minha frente. E daí começa a perseguição, e a superação dos meus limites. Às vezes não dá, fico com medo de me arrebentar e acabo me conformando - até porque é preciso reconhecer que um idoso, uma gordinha ou um anão podem chegar antes de mim (e pode crer que eles chegam), porque eles merecem, porque eles treinam e são melhores mesmo do que eu, e é isso que eu preciso lembrar quando eu prometo que vou treinar pra próxima.
Muitas outras vezes eu consigo, e fico tão feliz como se estivesse ganhando a prova.
Mas o grande barato é competir comigo mesmo, é fazer aquele último esforço num sprint improvável para chegar.
E chegar é bom demais! Especialmente quando faço um tempo legal, ou supero o mesmo tempo da mesma prova no ano passado - essa é a minha meta pessoal.
Chego exausto, cheio de dores, encharcado de suor e água gelada, mas morrendo de orgulho da minha medalha. Tenho carinho e orgulho de todas elas, e fico namorando cada uma por um bom tempo. Já pensando na próxima, não deixo escapar nenhuma.
Aliás, tem uma nova vindo por aí.
Entro no site e acesso o link de inscrição...

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